O exercício físico e a qualidade do sono

Você tem dormido bem? Ou acorda com a sensação de que não descansou? Dorme pouco? Ou dorme muito, mas continua com sono? Cuidado! O sono é mais importante do que parece. Já pensou em inserir exercícios físicos na rotina? Como assim? Antes de falar sobre a relação sono-exercício físico – se há e quais são seus benefícios – é preciso compreender o sono.

Pois bem, segundo a professora Letícia Albertini, do Laboratório de Neurofisiologia da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, apesar de não haver teoria completamente esclarecida até hoje, algumas funções do sono são: restaurar os níveis normais de atividade e; devolver o “equilíbrio” normal entre as diferentes partes do sistema nervoso central. Além disso, o sono está envolvido com a conservação do metabolismo energético, a cognição, a termorregulação, a maturação neural e com a saúde mental.

De acordo com a Revista Brasileira de Medicina do Esporte (2001), a neurologia classifica o sono em cinco estágios. De um a quatro, gradativamente mais profundos, chamados de estágios NREM (Non-Rapid Eye Movements), estes estágios são responsáveis, principalmente, pela reconstituição celular e reequilíbrio fisiológico, e, um quinto estágio, chamado sono REM (Rapid Eye Movements – movimento rápido dos olhos), é responsável pela fixação do que foi visto ou aprendido durante a vigília, ou seja, a construção da memória de longa duração, nesta fase é onde ocorre a presença dos sonhos. Durante uma boa noite de sono, cingimos entre as cinco fases cerca de 4 a 6 vezes.

E o que o exercício físico pode fazer pela melhora do padrão de sono?

Outro artigo da Revista Brasileira de Medicina do Esporte, este de 2005, alguns pesquisadores têm procurado responder a esta questão apoiando-se basicamente em três hipóteses:

Primeira hipótese – Termorregulatória: Esta afirma que o aumento da temperatura corporal, como consequência do exercício físico, facilitaria o disparo do início do sono, graças à ativação dos mecanismos de dissipação do calor e de indução do sono, processos estes controlados pelo hipotálamo, através da liberação da melatonina.

Segunda hipótese – A conservação de energia: descreve que o aumento do gasto energético promovido pelo exercício durante a vigília aumentaria a necessidade de sono a fim de alcançar um balanço energético positivo, restabelecendo uma condição adequada para um novo ciclo de vigília.

Terceira hipótese – Restauradora ou compensatória: da mesma forma que a anterior, relata que a alta atividade catabólica durante a vigília reduz as reservas energéticas, aumentando a necessidade de sono, favorecendo a atividade anabólica.

A revista afirma, ainda, que o sono de pessoas ativas é melhor que o de pessoas inativas, com a hipótese de que um sono melhorado proporciona menos cansaço durante o dia seguinte e mais disposição para a prática de atividade física. E mais, que o exercício físico melhora o sono da população em geral, principalmente de indivíduos sedentários. Ou seja, o padrão do sono profundo, estágios três e quatro da classificação, pode ser alterado dependendo da intensidade e da duração do exercício e da temperatura corporal. Acredita-se que, principalmente o estágio quatro, é extremamente importante para a reparação fisiológica e de energia. A alteração positiva nesse estágio de sono ocorre em função do aumento do gasto energético provocado pelo exercício durante a vigília, o que propicia um sono mais profundo e restaurador fisicamente.

Porém, vale o alerta. Verificou-se em alguns estudos que o exercício em excesso pode aumentar a latência de sono REM e/ou diminuir o tempo desse estágio de sono, o que retrataria um índice de estresse induzido pelo exercício.

Concluindo, em relação ao tempo total de sono, admite-se que exercícios agudos, trazem aumento do episódio total de sono, assim como no exercício físico crônico, indivíduos treinados apresentam maior tempo de sono em comparação com indivíduos sedentários, mesmo sem treinarem, reafirmando a necessidade destes de mais sono para restabelecer a homeostase perturbada pelo exercício físico.

Portanto, o exercício físico na dose certa, assistido por profissional capacitado, associado a um sono de boa qualidade são fundamentais para a boa qualidade de vida e para a recuperação física e mental do ser humano.

E aí, tem dormido bem?

Escrito por : Diego A. Klemtz

Profissional de Educação Física

Especialista em Fisiologia do Exercício

CREF – 027.606-GPR

Albertini, L., Sono: História e Plasticidade. Disponível em:< http://www.neurofisiologia.unifesp.br/sono.htm#topo> Acessado em 23 de Out. de 2017.

Martins, P.J.F., et al, Exercício e sono. Rev. Bras. Med. Esporte, Vol. 7, Nº 1 – Jan/Fev, 2001.

Mello, M.T. de, et al, O exercício físico e os aspectos psicobiológicos. Rev. Bras. Med. Esporte, Vol. 11, Nº 3 – Mai/Jun. 2005.

Deixe uma resposta